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A idade é um posto...

por Tomates e Grelos, em 10.11.15

O ditado é velho e aponta para a evolução natural do bom-senso (ainda que nem sempre verificada), da premência em não adiar a concretização de sonhos e ainda de não dar importância a insignificâncias. Antes que se assustem, não vou falar dos velhinhos na fila de supermercado! Prefiro antes falar da minha própria experiência, daquilo que fazemos e ansiamos aos 16, 17, 18, depois aos 20, 27 e agora aos 30. Bem, começa logo por saltar à vista que passamos a contar o tempo não anualmente mas em décadas. Aos 17 somos muito diferentes dos 16 e aos 18 já nos esquecemos dos 17. Com 16 anos, masturbava-me, queria beijar raparigas, apalpá-las, dar os primeiros passos na sexualidade a 2. Aos 17, depois de experimentar, só queria mais e mais. Aos 18, o meu sexo descobria o prazer do sexo oral. Ambicioso, o sexo tornou-se rotineiro e isso não chegava. Eram precisas novas sensações. Entra o cunilingus. É aqui, na casa dos 20 que as novas experiências começam a ser menos frequentes. A descoberta diária passa a ser semanal, depois mensal. É natural, quanto mais se experimenta, menos há para experimentar. Por outro lado, ficamos mais selectivos e (em teoria) o sexo aumenta de qualidade. Os 20 passam num ápice e sem que nos apercebamos disso, estamos na fase final da década, com muito prazer, passando o chamado "pico sexual" e as questões começam a surgir.

 

"O que é que já fiz?", "O que me falta fazer?", "O que estou disposto a fazer?", "O que me dá mais prazer?"

 

Numa altura em que quase todos procuram estabilidade, um punhado de rebeldes procura as fronteiras da satisfação. Onde acaba o prazer? Onde começa a felicidade? Estarão estes rios destinados a juntar-se ou desaguam em oceanos distintos? Começa a observação dos casais do círculo social, aqueles que começam a juntar-se, aqueles que se casam, aqueles que têm descendência. Esta é a fase crítica de definição do futuro. A pressão social é brutal mas só lhe sucumbe quem quer. Sabemos o que queremos mas nem sempre temos a coragem de o assumir, com todos as consequências, com todos os riscos, com todos os benefícios. Eis senão quando, dá-se a viragem da década, os temíveis 30 chegaram e com eles começa a criar-se a ideia de que somos velhos. Não que somos idosos, não que estamos acabados mas, estamos nos 30, devíamos casar, ter filhos e ficar em casa. Estamos no limbo, não somos velhos mas não somos novos. Estar nos 30 é estar numa faixa etária onde a maioria quer assentar. No círculo social começam agora os divórcios e pensamos "Eu tinha razão". O problema é que, daqueles que ainda não assentaram, emergem os que querem assentar à força toda, e os que assentaram, divorciaram e querem assentar outra vez. "Quem sabe desta não acerto". Empecilhos, ambos, na engrenagem de quem vive outra filosofia, de quem pensa de outra forma. Diz-se dos velhos que dizem o que pensam pois podem não ter tempo para o dizer mais tarde. Serei então idoso, velhinho, sabendo que há quem não consiga computar a abordagem que esconde nas entrelinhas um "Olá, és uma mulher interessante. Queres foder?".

 

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publicado às 10:30



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