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A acidez do mergulho (Parte V)...

por Tomates e Grelos, em 11.12.14

A caminho do escritório, não consegue disfarçar o pensamento. Aquela proposta de Joana provoca-lhe um arrepio de cada vez que pensa nela. Começa no seu centro nevrálgico e espalha-se como um tremor de terra, por todo o corpo até se desvanecer na ponta dos dedos. A realidade é que a sua vida sexual andava demasiado parada para quem tantas aventuras já se tinha permitido, principalmente na altura da faculdade, muitas na companhia da própria Joana, sem dúvida a sua melhor amiga e quem melhor a conhecia. É verdade que Rodrigo, o marido, era o seu cúmplice mais perfeito mas, houve aventuras que nunca lhe confidenciou e que Joana tinha sido membro integrante. Embora não contasse tudo a Joana, a verdade é que ela lhe conhecia os segredos mais íntimos. Sim, era ela quem melhor conhecia Mariana.

 

"Eu a ir trabalhar e aquela cabra a foder que nem uma maluca toda a tarde!! Mariana? O que é isto? Comporta-te! Afasta esses pensamentos. Há trabalho para fazer e o dia ainda vai a meio. Já não tens idade para falar ou pensar assim."

 

Reprimia-se sempre que possível. Um animal enjaulado não pode ser atiçado demasiadas vezes pois quando se vir em liberdade, sabe-se lá o que poderá fazer e, a Dr.ª Mariana Figueiredo era agora uma mulher de negócios e família. Não se podia dar ao luxo de libertar o seu animal sexual sob o risco de não o dominar.

 

"Como será que ela os abordou depois de eu ter saído? Descarada como é, nem deve ter tido vergonha. Aposto que ainda gozou com eles antes de lhes satisfazer os desejos. Vaca. Estou mesmo a vê-la passar a mão no interior da coxa de um deles, bem junto ao sexo, enquanto fixa o olhar no outro, só para lhes ver o pau crescer dentro das calças. Será que ela os levou para casa? Nahh...deve tê-los obrigado a ir para um motel, de certeza. Caidinhos como eles estavam, até champanhe lhe pagam se ela assim o entender. Foda-se, que tesão que aquela mulher é. Ahhh...que saudades de me..."

 

Por entre pensamentos de luxúria, apercebe-se que já está no escritório.

 

"Concentra-te Mariana. Concentra-te!"

 

- Boa tarde Marília.
- Boa tarde Drª. O senhor André Gonçalves já está à sua espera.
- Quem?
- O representante da L'Oréal...
- Ah, sim, claro. Mande-o entrar daqui a 2 minutos, preciso de abrir as vendas primeiro.
- Com certeza Drª.

 

Mariana não era mulher de deixar o acaso decidir o seu destino, muito menos nos negócios. Consciente que o mundo ainda é dos homens, sabe que a preparação é chave essencial para que a respeitem, enquanto mulher e gestora. Pode ganhar 1000 vezes mas, basta uma derrota para que a desacreditem. Imbuída do lema "a grande cautela não causa dano", fez uma última revisão às vendas e compras dos produtos que o senhor André Gonçalves representava e pediu à Marília que o mandasse entrar.

 

"Estou tão molhada... Será que se sente o cheiro do meu tesão?"

 

- Boa tarde D.ª Mariana.
- Boa tarde André, como está?

 

André Gonçalves vestia sempre um fato impecável e apresentava-se sempre no seu melhor. Mariana não se recorda de alguma vez o ter visto descomposto, despenteado ou até mesmo sem apresentar um sorriso. Um sorriso que usava para tentar desarmá-la nas negociações mais difíceis e que Mariana sabia contornar, ainda que às vezes preferisse não fazê-lo, como quem não resiste a espreitar por uma porta que diz "privado" ou "staff only". Homem alto, ostentava uma barba curtinha que lhe conferia um aspecto rebelde. Um bad boy de Hugo Boss e olhos castanhos, cabelo ligeiramente desgrenhado, apenas o suficiente para não ser penteadinho.

 

"Estás diferente hoje. Estás mais...apetecível! Ainda por cima vens de saia. Não sei se és tu ou deste calor mas, essa secretária combina lindamente contigo debruçada nela. Agarrem-me que um dia destes não me controlo!"

 

- Bem, obrigado. Mas estaria melhor se a L'Oréal me desse mais margem para trabalhar.
- Ó D.ª Mariana, não diga essas coisas que isso até lhe fica mal.
- O André sabe bem que é verdade.
- O que eu sei é que a Mariana já tem uma margem acima da sua concorrência.

 

Mariana não sabia estar à defesa e não perdia uma oportunidade para atacar. Era implacável no que dizia respeito à sua empresa. O sangue suor e lágrimas investido era-lhe demasiado precioso para permitir uma brecha, uma oportunidade à passagem de uma bala que a pudesse ferir. Sabia que a família sofria um pouco com o que isso implicava em termos de tempo e disponibilidade mental. A família...e Mariana.

 

"Meu Deus, um dia ainda perco a cabeça por causa deste homem. Porque é que ele não deixa crescer uma pança ou, vem aqui de fato de treino? Ele não pode, sob circunstância alguma, perceber o meu estado de excitação. Ai, mas era tão bom...eu deitava-me na secretária e puxava-te para dentro de mim. Ias ver o que é foder!"

 

- André, eu não quero uma margem acima da minha concorrência. Eu quero "A" margem. Eu quero que a Smartbuy seja o revendedor de referência da L'Oréal! Quero representar a gama completa, mesmo os produtos menos rentáveis, disponibilizando espaço em armazém para stock e, para isso, quero "A" margem.
- Bem, não estava à espera de ter esta conversa hoje mas, agrada-me esse entusiasmo.

 

André era bom de improviso. Não se deixava enganar e nunca passava a ideia de que não sabia do que falava. Para ele, o "não sei" não existia e o "isso não é comigo" era uma ofensa. É verdade que não tinha autoridade para tomar uma decisão daquele género mas, a mera oportunidade de estar no epicentro de um acordo deste tipo, era aliciante o suficiente para que desse esperanças a Mariana. Associar-se à solução e não ao problema, era a sua forma de estar. Neste caso, tinha ainda o aliciante de poder "lucrar" de outra forma. Apesar da sua postura nos negócios não lhe permitir misturá-los com prazer, Mariana ela daquelas mulheres por quem estaria disposto a quebrar a sua própria regra.

 

- Com base no que me está a transmitir, penso que podemos trabalhar este projecto de forma a chegarmos a um acordo que seja benéfico para ambas as partes. Claro que preciso de tempo para apresentar a proposta internamente e verificar junto da direcção comercial as condições que podemos oferecer.
- Claro que sim, não estou à espera de uma decisão imediata.
- Óptimo! Sendo assim, passemos aos assuntos que nos trazem aqui hoje.
- Tenho aqui umas notas de débito...(blá-blá-blá)...queria que me ajudasse com as quebras...(blá-blá-blá)...preciso de encomendar...
- Deixe-me só validar...(blá-blá-blá)...terei de analisar com o departamento de qualidade...(blá-blá-blá)...vamos já tratar disso...

 

Negócios, negócios, negócios...nem os olhares penetrantes que André lançava, desarmavam esta mulher. Parecia impenetrável. Não conseguia deixar de imaginar como seria possuí-la. Tinha uma tendência para imaginar que as mulheres mais controladas eram aquelas que mais prazer poderiam produzir. Claro que esta teoria não tinha qualquer fundo de verdade mas, na realidade, o que não temos é aquilo que mais queremos e André era um homem discreto e distinto. Não gostava de coisas explícitas. Não era assim que seduzia.

 

"Que olhar meu Deus, que olhar. Este homem mata-me com este olhar. Porque é que ele não se limita a olhar? Porque é que ele tem de me penetrar com ele? Hoje não André, hoje não! Rodrigo, Rodrigo, Rodrigo. Tomás, Tomás, Tomás. Margarida, Margarida, Margarida."

 

- Bem, está tudo por hoje. Vou dar seguimento ao que falámos no início e depois digo alguma coisa.
- Façam a vossa melhor proposta a ver se levamos esta parceria a bom porto.
- Com certeza.

 

Despedem-se com um cordial aperto de mão.

 

"Vai-te embora tentação."

 

A porta fecha-se e a tentação fica do lado de fora. Do lado de dentro, uma Mariana em brasa delira, febril de uma temperatura interior que mal a deixa raciocinar. Tem de se concentrar e só há uma forma: deitar todo aquele tesão para fora.

 

"E se aparece alguém? E se alguém me houve? Já sei!"

 

Aguenta mais uns segundos para não se cruzar com André no corredor e sai.

 

- Marília, venho já. 5 minutos.

 

O WC é já ao fundo do corredor. Privado. Impenetrável. Só terá de abafar o som. O passo acelerado denuncia-lhe a pressa. Sente-se desengonçada, como se não soubesse caminhar. Há muito que (não) se encontrava neste estado de excitação. Não ao ponto de fechar a porta do WC por dentro, subir a saia, baixar a cuecas, apoiar-se com uma mão no lavatório, abrir as pernas e espalhar todo o tesão com os dedos pelo clitóris. Completamente encharcada, penetra-se com um dedo. Flashes de André no seu escritório passam-lhe pela mente. Dois dedos. Imagina como será o sexo dele. Enfia os dedos até ao fim, precisa de se sentir preenchida. Assume que é ele que a penetra. Não mais os tira de dentro de si e apenas os mexe. Tem de o sentir dentro de si. Aperta o lavatório como se este fosse o culpado disto tudo e o corpo contrai-se involuntariamente. Uma vez. Duas vezes. Vários espasmos consecutivos. Uns abafados "uhhh"s não são contidos. Não há problema, não há ninguém a ouvir. Retorna à realidade à medida que o corpo relaxa. Sente um alívio que a deixa bem mais leve. É só preciso recompor o fôlego e retocar a maquilhagem. Pronta para o resto do dia! Abre a porta e congela!

 

"Como?"

 

 

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publicado às 09:53


7 comentários

De Quarentona a 11.12.2014 às 12:33

Gosto do nome André

De Liliana a 11.12.2014 às 20:39

Maiiiis

De Liliana a 12.12.2014 às 15:03

Sim. Não vai ter continuação?

De Tomates e Grelos a 12.12.2014 às 15:15

Não sei...só tive feedback teu...mas a ideia é continuar enquanto a imaginação mo permitir e o prazer assistir.

De Liliana a 12.12.2014 às 16:48

É o que importa.

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