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A acidez do mergulho (Parte II)...

por Tomates e Grelos, em 07.10.14

A infância é feliz, como para qualquer criança com estabilidade familiar. Não tem tudo o que quer mas, tem tudo o que precisa, algo que virá a tomar consciência e do qual ficará agradecida quando a idade lhe permitir a maturidade. Entre bonecas de trapos e saltos de corda, lá vai lamentando a avareza do pai mas, o Dr. Mário acha que o carácter também vem do valor que se dá ao que se tem e, esse valor só pode ser adquirido quando se tem de lutar por algo. Frequenta o ensino básico ou, como se dizia na altura, a escola primária, pública, que a vida não está para grandes aventuras financeiras.

 

Não tem mais de 6 anos quando apanha um colega a tentar espreitar pelas saias da colega de turma. É incrível como a nossa sexualidade se revela tão cedo, ainda que nao a entendamos dessa forma. O que buscava o amigo debaixo das saias? As cuecas? Para quê? Não tem umas? Que parvoíce, pensou. Mais curioso ainda foi a reacção da amiga... Porque é que ela sentiu tanto pudor naquele acto? Até há bem pouco tempo andava nua na praia e nunca houve problema. De onde veio esta nova forma de estar? Os adultos são mesmo complicados, ora estamos bem despidos ora isso já não é adequado. Crescer não é fácil, pensou, enquanto continuava a pentear a boneca. E porque raio haveria ela de ter uma patareca, como a mãe lhe tinha explicado, e os meninos uma pilinha? Porque não somos todos iguais? No seu entendimento, essa diferença, aparentemente apenas física, só implicava que os meninos faziam xixi em pé e as meninas o faziam sentadas. Olhando para trás, é interessante ver como a nossa mente de criança nos faz colocar perguntas tão inocentes mas que tanto incomodam os adultos. Tal como uma maçã que nos retira toda a inocência, o crescimento faz-nos passar a ver maldade e incute-nos o pudor, onde antigamente apenas víamos pequenos seres humanos a brincar. Não nos incomoda ver uma criança despida na praia mas, um adulto é atentado ao pudor. Pudor, essa palavra tão feia, pelo menos no aspecto sonoro, que reflecte o sentimento de constrangimento ao ver alguém despido de preconceitos. As crianças, seres ainda livres desse atentado à sanidade mental, são felizes. Será possível crescer, manter a sanidade mental, livre dos grilhões do pudor e sentir o mesmo prazer sem culpa?

 

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publicado às 14:24



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